SEQUELAS ANTISSÉPTICAS

Caros Leitores,

Na coluna escrita em 18 de maio (‘’Todo dia ele faz tudo sempre igual’’), emprestei o título da famosa música do Chico Buarque para descrever a minha previsível e angustiante rotina de home-office.

Hoje é o 131º (centésimo trigésimo primeiro) dia de pandemia. E começo a perceber importantes sequelas mentais decorrentes desse rigoroso isolamento.

Por exemplo, na última sexta-feira, vendo um reality show de comida na televisão, senti uma estranha sensação quando um dos chefs participantes abraçou o colega de bancada sem qualquer preocupação antisséptica. Aquela atitude fraterna me pareceu de uma enorme irresponsabilidade sanitária.

Segundos depois, percebi meu exagero. O programa foi gravado no pré pandemia, época em que a preocupação com micro-organismos era não comer com as mãos sujas de terra. 

Esse acontecimento, ainda que pequeno, mostra que fomos atingidos em nível profundo e inconsciente, confirmando as previsões de que sairemos diferentes dessa prisão por decreto. Portanto, a pergunta é se essas mudanças serão permanentes ou não. 

Os espaços de escritórios diminuirão? As conferências digitais vão continuar? Como será o futuro dos eventos corporativos após meses de lives gratuitas? Deixaremos de fazer compras de mercado online?

Muitas são as perguntas e só o tempo responderá. Otimista que sou, acredito que migraremos para um mundo mais eficiente, digitalizado e solidário.

Não podemos mais ignorar os milhões de ‘’invisíveis’’ encontrados pelos programas de auxílio do governo. Nem a necessidade de apoiar os milhares de pequenos e médios empreendedores que tanto sofreram (e ainda sofrem) com a pandemia. 

E o mercado de seguros será uma das grandes pontes para atravessarmos do outro lado. Estima-se que 1,2 trilhões de reais em patrimônio já são segurados no Brasil e a nossa responsabilidade será ainda maior em proteger as pessoas (e seus negócios) para que sintam confiança em voltar a trabalhar. 

Dizem que a mente que se expande não retorna ao tamanho original. Espero que sim, e vou além: que o espírito que se eleva, que não involua jamais. 

Uma excelente semana,

Abs,

Lucas M.

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